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sexta-feira, 5 de abril de 2013

Papa exige «decisão» na proteção de menores por parte da Igreja


O Papa Francisco recebeu hoje no Vaticano o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, organismo da Santa Sé, ao qual pediu “decisão” no julgamento e nos esforços de prevenção de abusos sexuais na Igreja.
A posição é apresentada num comunicado do organismo presidido pelo arcebispo alemão D. Gerhard Ludwig Müller, divulgado pela sala de imprensa da Santa Sé.
Na audiência privada, o sucessor de Bento XVI recomendou que se siga a “linha” de ação delineada pelo agora Papa emérito para que a Congregação “aja com decisão no que diz respeito aos casos de abusos sexuais”.
Segundo Francisco, é necessário promover “medidas de proteção dos menores” e ajudar “aqueles que no passado sofreram tais violências”, dando seguimento aos “procedimentos devidos na relação com os culpados”.
O Papa argentino pede o compromisso das conferências episcopais na “formulação e implementação das diretivas necessárias" num "campo tão importante para o testemunho da Igreja e a sua credibilidade”.
“O Santo Padre assegurou que na sua atenção e na sua oração pelos que sofrem estão presentes de modo particular as vítimas de abusos”, conclui a nota.
Esta é a primeira posição pública do novo Papa sobre os casos de abusos sexuais cometidos por membros do clero ou em instituições de Igrejas denunciados em vários países do mundo e que levaram Bento XVI a alterar as normas canónicas para estas situações.
A Congregação da Doutrina da Fé solicitou em maio de 2011 aos episcopados católicos de todo o mundo a elaboração de diretivas próprias para tratar os casos de abusos sexuais, a serem entregues no prazo de um ano.
A Conferência Episcopal Portuguesa respondeu em abril de 2012 com a publicação de um conjunto de 51 orientações e 9 pontos relativos a procedimentos canónicos.
“Cada pessoa jurídica canónica cooperará com a sociedade e com as respetivas autoridades civis”, assinalaram os bispos.
OC
Agência Ecclesia

As paradas do medo


Tudo aconteceu muito rápido. Aproximadamente cinco a seis minutos. Era um grupo de vinte estudantes universitários de Pindoretama na parada de ônibus em frente à Reitoria da UFC numa noite de segunda-feira, esperando o coletivo para chegar ao seu destino, quando dois homens armados renderam todos.
Sem poder reagir, ninguém foi acolhido ou socorrido, a não ser ceder à vontade dos assaltantes entregando-lhes bolsas, celulares, carteiras, relógios, notebooks. Foi uma correria e tanto que até alguns comerciantes diziam e interpretavam como foi grande a correria das pessoas enquanto os maléficos faziam o chamado “limpo” retirando seus pertences. Cidadãos andavam arregalando os olhos temerosos de serem as próximas vítimas. A situação repercutiu todo o Estado imprimindo saindo, assim, nas primeiras páginas de notícias regionais do dia seguinte. Quando li esta notícia me impressionei com o acontecido e no mesmo instante inconformado com a situação, dividi a mesma com minha amiga Ana. Esta, com o olhar de indignação exclamou dessa forma: “Estamos sendo alvos desses bandidos a todo instante. Saímos de casa com a incerteza se voltamos ou não vivos”.
Ainda no terceiro dia do ocorrido ainda lembro-me do assalto, mas o que me deixa inquieto e indignado é a atuação lenta da polícia na hora do acontecimento, onde não há mudanças rigorosas a respeito da segurança.
Erigleisson Alves – Crônica

quinta-feira, 21 de março de 2013

21 de Março - Dia Internacional contra a Discriminação Racial


No dia 21 de março de 1960, na cidade de Joanesburgo, capital da África do Sul, 20 mil negros protestavam contra a lei do passe, que os obrigava a portar cartões de identificação, especificando os locais por onde eles podiam circular.

No bairro de Shaperville, os manifestantes se depararam com tropas do exército. Mesmo sendo uma manifestação pacífica, o exército atirou sobre a multidão, matando 69 pessoas e ferindo outras 186. Esta ação ficou conhecida como o Massacre de Shaperville. Em memória à tragédia, a ONU – Organização das Nações Unidas – instituiu 21 de março como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial. 

O Artigo I da Declaração das Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial diz o seguinte:

"Discriminação Racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou qualquer outra área da vida pública" 

O racismo se apresenta, de forma velada ou não, contra judeus, árabes, mas sobretudo negros. No Brasil, onde os negros representam quase a metade da população, chegando a 80 milhões de pessoas, o racismo ainda é um tema delicado. 

Para Paulo Romeu Ramos, do Grupo Afro-Sul, as novas gerações já têm uma visão mais aberta em relação ao tema. “As pessoas mudaram, o que falta mudar são as tradições e as ações governamentais”, afirma Paulo. O Grupo Afro-Sul é uma ONG de Porto Alegre, que promove a cultura negra em todos os seus aspectos. 

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD – em seu relatório anual, "para conseguir romper o preconceito racial, o movimento negro brasileiro precisa criar alianças e falar para todo o país, inclusive para os brancos. Essa é a única maneira de mudar uma mentalidade forjada durante quase cinco séculos de discriminação”. 

Aproveite esta data para refletir: você tem ou já teve atitudes racistas?

Fonte: http://www2.portoalegre.rs.gov.br/pwdtcomemorativas/default.php?reg=3&p_secao=59

sábado, 29 de dezembro de 2012

Mensagem para o Natal e Ano Novo 2012 - Pe. Geovane Saraiva


domingo, 2 de dezembro de 2012

Não aceite a normalização do pecado


Eu gostaria de falar sobre a força que Deus nos dá nesta vida, na nossa caminhada. O que Deus mais deseja é que sejamos pessoas cada vez mais humanas e sermos felizes. Nós vivemos hoje uma enfermidade coletiva. Estamos doente por causa da alguns 'vírus' que vamos contagiando os outros: o 'vírus' da solidão, de desesperança, do desânimo, da depressão. Vivemos também o contagio da normalização do pecado. Deus nos fez para sermos livres, para sermos sadio, mas nós estamos nos contentando com a situação de enfermos.

Por que as coisas ruins tem tanto espaço em nós e para a graça de Deus nós fechamos as portas?

“Não reine, pois, o pecado em vosso corpo mortal, de modo que obedeçais aos seus apetites. Nem ofereçais os vossos membros ao pecado, como instrumentos do mal. Oferecei-vos a Deus, como vivos, salvos da morte, para que os vossos membros sejam instrumentos do bem ao seu serviço. O pecado já não vos dominará, porque agora não estais mais sob a lei, e sim sob a graça” Rom 6, 12-14

Eu recebo muitas perguntas 'padre, isto é pecado?' As pessoas só querem saber o que é ou não pecado, mas o que elas precisam é ter consciência da escravidão das paixões. Paixão pelo poder, pelo dinheiro, etc. A gente fala tanto, e ficamos escandalizados, com relação à prostituição, mas nos prostituímos com poucas coisas, somos escravos de coisas muito menores.

"Não aceite a normalização do pecado" diz padre Reginaldo
Foto: Wesley Almeida/CN

O homem vive uma constante luta contra o pecado. Nossa vida é luta desde o momento que acordamos até quando vamos dormir. Jesus não foi tentado apenas no deserto, ele foi tentado constantemente. A palavra diz que quando Jesus venceu a tentação no deserto o Demônio partiu “até uma outra oportunidade”

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O Demônio é sutil, ele se disfarça na beleza, na paixão, para nos seduzir. Nós precisamos entender que o pecado é sutil. O pecado se mascara de algo bom porque se ele fosse mostrar a verdadeira face você não cairia nele. Nós estamos vivendo na lei da normalidade, tolerantes com as imundices no mundo. Ficamos resistentes à graça e aceitando as anormalidade do mundo.

Nós estamos vendo, por exemplo, a onda de violência nos estados e ficando acomodados. Não adianta colocar a polícia para repreender, a violência tem gerado mais violência. Qual o problema? O problema destes atos bárbaros da sociedade está na família. Recupere a família e o seu papel na sociedade, e as coisas vão ficar bem.

A maior força do inimigo é justamente nos introduzir na lei da normalidade. O que você foi assimilando na sua vida que pertence aos pagãos? Nós sabemos que o mundo paganizou as datas cristãs. A Páscoa foi paganizada com o … coelho da Páscoa, chocolate. O Natal foi paganizado com o … papai noel. O dia de Nossa Senhora Aparecida foi paganizado com o … dia das crianças. Nada contra as crianças, nada contra o Papai Noel, mas estamos falando aqui do mundo paganizado que entrou em nós, e hoje aceitamos todo este consumismo como normal.

Nós não devemos temer a queda de número de católicos no país. O passo que devemos dar no nossa país agora é sairmos da condição de simpatizantes de Jesus para discípulos de Jesus. Neste ano da fé não tem espaço para simpatizantes.

Transcrição e adaptação: Daniel Machado

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Padre Reginaldo Manzotti 


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Tempo de agradecer

O dia de ação de graças, celebrado ontem, é oportunidade de dar graças por tudo, reconhecendo os semelhantes e, particularmente, Deus como fonte dos bens recebidos. Ainda que não seja uma forte tradição da cultura brasileira, a celebração deste dia é oportunidade para a vivência de um importante aprendizado. Inspira o cultivo da qualidade nas relações interpessoais, transformando a vida de cada um, as dinâmicas próprias das comunidades de fé, das famílias, do trabalho e de toda a sociedade.

Jesus, em sua maestria, tratou desse assunto no processo formativo de seus discípulos. O evangelista Lucas, no capítulo dezessete, narra o episódio tocante e instrutivo da cura dos dez leprosos. Todos foram agraciados com a cura, ouvidos na sua dolente súplica: “Mestre, tem compaixão de nós”. Um dos leprosos, ao perceber que estava curado, voltou glorificando a Deus em alta voz, prostrou-se aos pés de Jesus e lhe agradeceu. Jesus o interpela perguntando: “Não foram dez os curados? E os outros nove, onde estão?” O Mestre, a caminho de Jerusalém, observa que só um estrangeiro, o samaritano, voltara para agradecer o bem recebido.

Ao sublinhar que aquele de coração agradecido era estrangeiro, samaritano, Jesus ensina que a maturidade humana não é determinada pela classe social. É uma questão de maturidade, conquistada e cultivada pela experiência também importante e determinante de agradecer por tudo o que se recebe. A gratidão transforma o coração e ilumina os olhos. Permite entender a vida de modo diferente. O outro de quem se recebe um bem, qualquer que seja, grande ou até materialmente insignificante, ocupa um lugar de reverência. Uma reverência que modula a inteligência e a mente, determinando rumos novos na conduta que é balizada para pautar-se no sentido de respeito irrestrito ao outro. Cultiva-se o compromisso de ser bom, como convicção, nascida na alegria do bem que se recebe.

A gratidão faz crescer no coração de quem é grato gosto pela bondade. É, portanto, um remédio que tem o poder de extirpar sentimentos que obscurecem a mente e o coração, fecundando a capacidade moral de ser bom. A gratidão cura a soberba, a inveja e o orgulho, venenos na vida pessoal, articuladores de uma sociedade que adota as dinâmicas desastrosas da disputa, do ódio e do individualismo. Dissipa os males que enfraquecem a compaixão e fortalecem a indiferença.

A propósito da gratidão, este é um momento propício, quase ao final de mais um ano de muito trabalho em prol da construção da Catedral Cristo Rei, para agradecer.

No final de 2005, depois de escutas, começamos a caminhar rumo à construção da Catedral Cristo Rei. Naquele ano, a Arquidiocese de Belo Horizonte pediu a Oscar Niemeyer uma concepção arquitetônica. Esse primeiro momento também ficou caracterizado por um longo percurso interno, de reflexões, para buscar consensos e aperfeiçoar o projeto dessa importante caminhada. Uma nova etapa foi vivida no dia 2 de julho do ano passado, no Mineirinho, quando a comunidade eclesial conheceu o projeto e foi chamada a apoiar sua execução via Campanha Faço Parte. Prosseguindo, em 22 de agosto de 2011, aconteceu o importante encontro com o empresariado mineiro e autoridades do Estado, para o acolhimento de um projeto de grande alcance, força de sustentação da cultura e religiosidade que caracterizam Minas Gerais.

Já neste ano, consolidamos os trabalhos das curadorias: de Captação de Recursos, da Campanha Faço Parte, da Comunicação e Marketing, do Acompanhamento de Projetos, da Religiosa, da Secretaria Executiva, todas criadas para articular o complexo processo desse caminho exigente que é construir uma catedral.

É tempo de agradecer o empenho de todos, as duas latas de tinta oferecidas, as doações empenhadas, em dinheiro ou material, incluindo o comprometimento dos padres, de autoridades e do povo, o apoio de instituições variadas, inclusive aquelas da comunicação, construtoras, órgãos governamentais do estado e do município, os escritórios de projetos, a oração de todos e o entusiasmo de cada um. Tudo gera no coração o mais vivo sentido de gratidão. Há muita gente trabalhando na complexidade dos processos para, no primeiro trimestre do ano que vem, começarmos as obras de construção da Catedral Cristo Rei. É hora de intensificar a comunhão e apoios de todos. O caminho avança para concretizar o sonho. Por isso, e por tudo recebido na vida, neste ano, uma súplica: Senhor, dai-nos a graça de saber dar graças!


Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte
 CatolicaNet

Testemunho de vida é exigência sagrada, diz bispo


André Luiz
Da Redação


Arquivo
“As palavras convencem a cabeça, o testemunho arrasta corações”. Esta frase é muito conhecida por todos, mas, de modo especial por aqueles que são defensores de que o testemunho de uma vida autenticamente cristã é fundamental para a vida e missão da Igreja.
Em vista da necessidade de se encontrar entre os cristãos modelos de vida e testemunhos de consagração autêntica, que sirvam de orientação para o mundo atual, é que o Papa Bento XVI convocou toda a Igreja a unir-se em oração pelo clero e pela vocação e missão da Igreja, neste mês de novembro.
O pedido do Papa é para “que os bispos, os sacerdotes e todos os ministros do Evangelho dêem um testemunho corajoso de fidelidade ao Senhor crucificado e ressuscitado".
A Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi chama atenção para a necessidade deste testemunho cristão e aponta-o como sendo o primeiro caminho que a Igreja deve percorrer para viver a evangelização:

“Será pois, pelo seu comportamento, pela sua vida, que a Igreja há de, antes de mais nada, evangelizar este mundo; ou seja, pelo seu testemunho vivido com fidelidade ao Senhor Jesus, testemunho de pobreza, de desapego e de liberdade frente aos poderes deste mundo; numa palavra, testemunho de santidade.”

Para Dom Pedro Brito, Presidente da Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada, o testemunho é uma exigência sagrada para os ministros ordenados e deve ser vivido como prioridade por todos na Igreja."O ministério ordenado tem muitas funções sagradas, uma delas é o seu testemunho de vida.”

Dar testemunho, no âmbito religioso, significa viver concretamente a verdade em que se acredita e colocar em prática os ensinamentos de Cristo. Na opinião de Dom Pedro, para que haja um testemunho eficaz e verdadeiro, é preciso trabalhar a dimensão pastoral-missionária da Igreja. “Precisamos trabalhar na formação de pastores preocupados com as ovelhas, menos preocupados consigo mesmos, que se arrisquem na missão, que se interessem na inclusão do Evangelho, que não pensem muito em si, mas no trabalho a fazer e que coloquem, ainda mais, em Deus a sua confiança”, opinou o bispo.

Segundo Dom Pedro, as comodidades do mundo, a sua forma de viver, suas ideologias, a falta de fé e os fundamentos contrários aos planos de Deus são os principais obstáculos para que o cristão dê um testemunho autêntico de Cristo.

“O que o mundo tem de ruim são as intrigas, as brigas, a violência, a fofoca, o interesse, as rixas, as guerras, e nós não podemos reproduzir isso. O Evangelho é um distanciamento desta mentalidade do mundo. Ele é diferenciado dessas práticas que o mundo tem como prerrogativa de vida. Tudo isso é o que atrapalha a vivência do Evangelho.”

O Papa Paulo VI dizia: “O homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres, se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas”. De acordo com Dom Pedro, são três os principais caminhos para quem deseja ser testemunha autêntica de Cristo na Terra:

“Primeiro, é preciso acreditar mais em Deus, na promessa do Evangelho. O Senhor tem uma promessa e ele jamais falha. Segundo, arriscar mais a nossa fé. A viúva de Sarepta arriscou (I Rs 17, 8-16); fez comida para Elias, sabendo que no dia seguinte iria acabar e ela morreria. Mesmo assim, arriscou a fé. Terceiro, sermos generosos”, pontuou o bispo.
Dom Pedro disse ser grato ao Santo Padre por perceber as necessidades da Igreja e convocar os católicos para intercederem junto a Deus pelos ministros ordenados, a fim de que todos dêem um testemunho corajoso de fidelidade ao Senhor crucificado e ressuscitado.

Canção Nova

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

PENSAMENTO DO DIA



                                                                                                            Aqueles que se põem a choramingar e vêem pecados em todo o lado, andam devagar no caminho da perfeição e não fazem progressos.




Beato José Allamano

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A Igreja está atenta às necessidades da pessoa humana, diz bispo


Jéssica Marçal
Da Redação


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'Onde a pessoa humana precisa da presença da Igreja, então ela vai', enfatizou Dom Alberto
Vários são os problemas de cunho social, econômico ou religioso que afetam o mundo hoje e a Igreja, em sua missão confiada por Cristo, está atenta a todos eles. Independente se a situação é de guerra, fome, liberdade religiosa, o foco da ação caritativa da Igreja está voltado para a pessoa humana.

Esse cuidado com o ser humano é um dos pontos destacados pelo arcebispo de Belém, Dom Alberto Taveira Corrêa, quando o assunto é a maior urgência para a qual a sociedade demanda uma solução hoje.

O arcebispo explicou que a Igreja costuma dar respostas a essas necessidades, sendo cerca de 60 situações de urgência e emergência por ano, entre guerras, tempestades e furacões, por exemplo.

“Eu diria que a maior atenção está com a pessoa humana, com o filho de Deus e a dignidade e tudo aquilo que isso signifique. Então não é um problema só. É só a fome? São as guerras? São os desastres naturais? Não, é a pessoa humana. Onde a pessoa humana precisa da presença da Igreja, então ela vai”, disse.

Mas se a pessoa humana encontra dificuldades, nem sempre o próprio ser humano está disposto a ajudar aqueles que mais precisam, uma vez que estão inseridos em um mundo onde a solidariedade nem sempre tem destaque.

Diante desta realidade, Dom Alberto acredita que em muitos lugares já se perdeu totalmente esse senso caritativo, o valor da vida. “Pensemos na violência no Brasil. Não temos guerra declarada, mas temos uma verdadeira guerra urbana nos grandes centros do país, nas cidades, também no campo”.

Segundo o arcebispo, isto é consequência da perda do sentido da vida humana, do valor da dignidade humana, da justiça, da paz. "É claro que isso acontece de uma forma muito clara em nosso mundo e precisamos estar atentos a isso e a Igreja quer 'nadar contra a correnteza' por causa do valor que Deus dá à vida humana".

Pontifício Conselho Cor Unum

Para dar atenção a tantos problemas, a divisão em Congregações, Conselhos e Comissões é o que ajuda a Igreja a se organizar. Especificamente sobre assuntos relacionados à caridade, a Igreja conta com o Pontifício Conselho Cor Unum (Único Coração), que organiza a prática da caridade na Igreja.

“Através do Conselho Cor Unum, a Igreja vai ao encontro de situações difíceis”, disse Dom Alberto. Ele citou como exemplo a visita que o presidente deste Pontifício Conselho, Cardeal Robert Sarah, fez recentemente à Síria, em virtude da situação de conflitos no país.

“Ligado a esse Conselho, existem fundações e outros organismos. Por exemplo, por 14 anos eu fui membro do Conselho da Fundação Populorum Progressio, que cuida da caridade do Papa para a América Latina e para o Caribe”.

Depois de passar mais de uma década participando de ações caritativas nesta fundação, Dom Alberto recebeu um novo desafio: no dia 27 de outubro, ele foi nomeado pelo Papa Bento XVI como membro do Pontifício Conselho Cor Unum.  Em janeiro de 2013, ele participará da primeira reunião junto ao Conselho, para conhecer de perto as necessidades e saber o papel que vai desempenhar.

“Para minha surpresa, eu recebi esta nomeação para o Pontifício Conselho Cor Unum. Tudo que signifique confiança da Igreja, especialmente do Papa, é claro que alegra o coração da gente. E como eu disse sim a Deus e à Igreja na minha vida, eu nunca posso voltar atrás nessa minha resposta positiva ao que a Igreja me pede e minha resposta, é claro, foi positiva".

Canção Nova

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Jovens não devem dar "sobras"


Seguir o caminho do sacerdócio implica uma entrega completa, referiu António Couto, bispo de Lamego, em declarações à FÁTIMA MISSIONÁRIA, a propósito da ‘Semana dos Seminários’. O sacerdote, «jovem ou menos jovem», não deve «dar sobras», porque essas «não têm a marca de Deus», advertiu o presidente da Comissão Episcopal da Missão e Nova Evangelização. Aludindo ao exemplo de Deus que, referiu, se dá «totalmente», o prelado defende que também os jovens devem ser capazes de fazer uma «doação total».

Escolher o caminho do sacerdócio, tornando os outros mais felizes, é, para o prelado, a mensagem primordial desta semana. «Dar não apenas aquilo que já não me faz falta, as minhas sobras, mas dar-me a mim e entregar-me a mim, para que os outros possam ser mais felizes e até eles possa chegar o Evangelho. Penso que isso é fundamental para esta ‘Semana dos Seminários’», explicou à margem do Conselho Nacional Missionário que decorreu em Fátima.

Para António Couto, a opção por um percurso sacerdotal é uma escolha bem recebida pelas gerações mais novas. «Penso que é um modo de viver bonito, extraordinário, muito bem acolhido pela juventude», referiu. Ao longo desta semana, os fiéis devem rezar pelos seminaristas e formadores mas não só. «Não nos compete apenas rezar, temos que investir o nosso amor, a nossa generosidade e a nossa vida inteira», frisou. 

Fátima Missionária

domingo, 11 de novembro de 2012

Ângelus: "Fé e Caridade são inseparáveis, diz Papa


Rádio Vaticano


Rádio Vaticano
“Unidade inseparável entre fé e caridade, entre o amor de Deus e o amor do próximo”, lembra Bento XVI
Bento XVI reafirmou neste domingo, 11, a “unidade inseparável entre fé e caridade, entre o amor de Deus e o amor do próximo”. Em um breve discurso proferido antes da oração do Angelus, o Papa apresentou dois trechos bíblicos (Livro dos Reis e Evangelho de Marcos) que narram episódios com viúvas.

A primeira divide tudo o que possuía - um punho de farinha e uma gota de óleo - com o Profeta Elias.

A segunda foi vista por Jesus no templo de Jerusalém, aonde as pessoas depositavam suas ofertas. Ao vê-la colocar duas moedinhas no cofre, Jesus chamou os discípulos e explicou que o óbolo da viúva era maior do que o dos ricos, porque estes doaram o que lhes era supérfluo, enquanto ela ofereceu tudo o que possuía, tudo o que tinha para viver.

Segundo o Papa, relacionando estes dois episódios bíblicos, temos um precioso ensinamento sobre a fé, vista como comportamento interior de quem baseia sua vida em Deus, em sua Palavra, e confia totalmente Nele.

As Escrituras dizem que “a condição efetiva de necessidade, como a da viúva neste caso, não é suficiente: Deus pede sempre a nossa livre adesão de fé, que se expressa no amor por Ele e pelo próximo. Ninguém é pobre ao ponto de não poder doar algo”.

De fato, as duas viúvas demonstram sua fé realizando, cada uma, um gesto de caridade: uma para com o profeta e a outra dando esmola - o que comprova a unidade inseparável entre fé e caridade, entre o amor de Deus e o amor do próximo.

“Nenhum gesto de bondade perde sentido diante de Deus; não existe misericórdia sem frutos” – recordou ainda Papa Ratzinger, terminando com uma bela citação de São Leão Magno: “A balança da justiça divina não pesa a quantidade dos dons, mas o peso dos corações. A viúva do Evangelho depositou no cofre do templo alguns trocados, mas seu dom foi maior do que o dos ricos”.

Depois desta reflexão, Bento XVI rezou a oração dominical e prosseguiu cumprimentando os fiéis, turistas e peregrinos em várias línguas. Em italiano, saudou a comunidade beneditina recordando a figura de Maria Luisa Prosperi, monja que viveu em meados do século XIX no mosteiro de Trevi, proclamada beata sábado, 10, na Catedral de Spoleto.

Na sequência, dirigiu-se aos agricultores católicos italianos que celebram neste domingo o Dia de Agradecimento, com o tema “Confia no Senhor, faz o bem e habita a Terra”. “Esta ocasião – disse o Pontífice – reforça a necessidade de um estilo de vida enraizado na fé, para reconhecer com alma agradecida a mão criadora e providente de Deus, que alimenta seus filhos”.

Enfim, Bento XVI parabenizou os poloneses pelo Dia da Independência, em que a Polônia recorda a fé de seus pais, a história e a força do Espírito das recentes gerações. “Rezo com vocês e com a Associação Ajuda à Igreja que Sofre pelos cristãos do Egito, por ocasião do Dia de solidariedade com a Igreja perseguida” – concluiu, falando aos peregrinos.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

As imagens na Tradição da Igreja


A beleza e a cor das imagens estimula minha oração, disse São João Damasceno
Na Encarnação do Verbo, Deus mostrou aos homens uma face visível de Deus. Os cristãos foram, então, compreendendo que segundo a pedagogia divina, deveriam passar da contemplação do visível ao invisível. As imagens, principalmente os que reproduziam personagens e cenas da história sagrada, tornaram-se “a Bíblia dos iletrados” ou analfabetos.
Os Reformadores protestantes rejeitaram as imagens por causa dos abusos do fim da Idade Média; Lutero, porém, se mostrou bastante liberal com as imagens; não as proibia.
Ultimamente entre os luteranos a atitude inococlasta (heresia que rejeitava as imagens) tem sido submetida a revisão. Lutero rejeitou os iconoclastas (quebradores de imagens) escreveu essas palavras em 1528: “Tenho como algo deixado à livre escolha as imagens, os sinos, as vestes litúrgicas e coisas semelhantes. Quem não os quer, deixe-os de lado, embora as imagens inspiradas pela Escritura e por histórias edificantes me pareçam muito úteis… Nada tenho em comum com os Iconoclastas” (Da Ceia de Cristo).
Nos primeiros séculos do Cristianismo, ainda encontramos alguns escritores cristãos que mostram mal-entendidos ou abusos por parte dos fiéis no uso das imagens. Mas os cristãos foram percebendo que a proibição de fazer imagens no Antigo Testamento era apenas uma questão pedagógica de Deus com o povo de Israel, para que esse não se voltasse para os ídolos. Deus proibia fazer imagens de ídolos e não de outros seres. As gerações cristãs começaram a representar e meditar as fases da vida de Jesus e a representação artística das mesmas começaram a surgir como um meio valioso para que o povo fiel se aproximasse do Filho de Deus.
Já nas antigas catacumbas de Roma (S. Calisto, Priscila, etc.), os antigos cemitérios cristãos, encontram-se diversos afrescos geralmente inspirados pelo texto bíblico: Noé salvo das águas do dilúvio, os três jovens cantando na fornalha, Daniel na cova dos leões, os pães e os peixes restantes da multiplicação efetuada por Jesus, o Peixe (Ichthys), que simbolizava o Cristo.
Note que esses cristãos dos primeiros séculos estão debaixo da perseguição dos romanos. E eles faziam imagens e pintavam figuras. Será que eram idólatras por isso? É lógico que não, eles morriam às vezes mártires exatamente para não praticarem a idolatria, reconhecendo César como Deus e lhe queimando incenso. Ora, se os nossos mártires usavam figuras pintadas, é claro que elas são legítimas.
Nas Igrejas as imagens tornaram-se a “Bíblia dos iletrados”, dos simples e das crianças, exercendo grande função catequética. Alguns escritores cristãos nos contam isso. São Gregório de Nissa (†394) escreveu: “O desenho mudo sabe falar sobre as paredes das igrejas e ajuda grandemente” (Panegírico de S. Teodoro, PG 94, 1248c).
São João Damasceno, doutor da Igreja, grande defensor das imagens no Concilio de Nicéia II, disse: “O que a Bíblia é para os que sabem ler, a imagem o é para os iletrados” (De imaginibus I 17 PG, 1248c). “Antigamente Deus, que não tem corpo nem face, não poderia ser absolutamente representado através duma imagem. Mas agora que Ele se fez ver na carne e que Ele viveu com os homens, eu posso fazer uma imagem do que vi de Deus.” “A beleza e a cor das imagens estimula minha oração. É uma festa para os meus olhos, tanto quanto o espetáculo dos campos estimula o meu coração para dar glória a Deus” (CIC, 1162). “Como fazer a imagem do invisível? Na medida em que Deus é invisível, não o represento por imagens; mas, desde que viste o incorpóreo feito homem, fazes a imagem da forma humana: já que o inviável se tornou visível na carne, pinta a semelhança do invisível” (I 8 PG 94, 1237-1240). “Outrora Deus, o Incorpóreo e invisível, nunca era representado. Mas agora que Deus se manifestou na carne e habitou entre os homens, eu represento o “visível” de Deus. Não adoro a matéria, mas o Criador da matéria” (Ibid. I 16 PG 94, 1245s).
O Papa São Gregório Magno († 604), doutor da Igreja, escreveu a Sereno, bispo de Marselha, que ordenou quebrar as imagens: “Tu não devias quebrar o que foi colocado nas Igrejas não para ser adorado, mas simplesmente para ser venerado. Uma coisa é adorar uma imagem, outra coisa é aprender, mediante essa imagem, a quem se dirigem as tuas preces. O que a Escritura é para aqueles que sabem ler, a imagem o é para os ignorantes; mediante essas imagens aprendem o caminho a seguir. A imagem é o livro daqueles que não sabem ler” (epist. XI 13 PL 77, 1128c).
Nos séculos VIII e IX surgiu na Igreja a disputa em torno do uso das imagens, a questão iconoclasta. Por influência do judaísmo, do islamismo, de seitas e de antigas heresias cristológicas, muitos cristãos do Oriente começaram a negar a legitimidade do culto das imagens. Os imperadores bizantinos, de Constantinopla, tomaram parte na disputa, por motivos políticos mais do que por razões religiosas. Desencadeada sob o Imperador bizantino Leão Isáurico (717-741), a controvérsia das imagens foi levada ao Concílio de Nicéia II (787).
Com base nos sólidos argumentos de grandes teólogos como São João Damasceno, doutor da Igreja, este Concilio reafirmou a validade do culto de veneração (não adoração) das imagens. O Concílio distinguiu entre Iatréia (em grego adoração), devida somente a Deus, e proskynesis (veneração), tributável aos santos e também às imagens sagradas na medida em que estas representam os santos ou o próprio Senhor; o culto às imagens é, portanto, relativo, só se explica na medida em que é tributado indiretamente àqueles que as imagens representam.
Assim se pronunciaram os padres conciliares: “Definimos que, como as representações da Cruz, assim também as veneráveis e santas imagens, em pintura, em mosaico ou de qualquer outra matéria adequada, devem ser expostas nas santas igrejas de Deus (sobre os santos utensílios e os paramentos, sobre as paredes e de quadros), nas casas e nas entradas. O mesmo se faça com a imagem de Deus Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, com as da santa Mãe de Deus, com as dos santos Anjos e as de todos os santos e justos. Quanto mais os fiéis contemplarem essas representações, mais serão levados a recordar-se dos modelos originais, a se voltar para eles, e lhes testemunhar … uma veneração respeitosa, sem que isto seja adoração, pois esta só convém, segundo a nossa fé, a Deus” (sessão 7, 13 de outubro de 787; Denzinger-Schönmetzer, Enchridion Symbolorum nº 600s).
Note, então, que muito antes da Reforma Protestante, a Igreja já tinha estudado o uso das imagens; isto foi cerca de 750 anos antes da Reforma. A sagrada Tradição da Igreja, sempre assistida pelo Espírito Santo (cf. Jo14,15.25; 16,12-13) sempre reconheceu o valor pedagógico e psicológico das imagens como um auxílio para a vida de oração. Todos os santos da Igreja, em todas as épocas, valorizaram as imagens. Santa Teresa de Ávila († 1582), ao ensinar as vias da oração às suas Religiosas, dizia: “Eis um meio que vos poderá ajudar… Cuidai de ter uma imagem ou uma pintura de Nosso Senhor que esteja de acordo com o vosso gosto. Não vos contenteis com trazê-las sobre o vosso coração sem jamais a olhar, mas servi-vos da mesma para vos entreterdes muitas vezes com Ele” (Caminho de Perfeição, cap. 43,1).
Prof. Felipe Aquino

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Dia Nacional da Juventude


Neste 11 de novembro, em Uberaba, celebramos o DNJ, Dia Nacional da Juventude, dando mais um passo na direção da Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, em 3013. É o grande momento dos jovens de nossa Arquidiocese, firmando seu compromisso com a missão cristã, descobrindo sua potencialidade e dinamismo nos novos tempos.

Fixemos nossos olhos no jovem e profeta Elias, seguidor das palavras do Senhor, cumprindo a tarefa que lhe foi confiada. Elias, debilitado e com fome, vai buscar alimento na casa de uma viúva pobre, mas que partilha com ele sua pobreza, confiando na proteção de Deus. A generosidade dessa viúva de Sarepta fez com que o pouco que ela tinha, sendo dividido, fosse multiplicado.

Todo jovem deve colocar sua confiança em Deus. A Providência não falha quando não deixamos que a vaidade, o orgulho e a ganância sejam os destaques maiores na vida. A ostentação impede a ação de Deus. Jesus critica as pessoas que querem uma posição de destaque de forma egoísta, só por motivo de autopromoção e de dominação.

A generosidade é sinal de desapego e atitude essencialmente cristã. Jesus elogia uma viúva que, no templo, oferece tudo que tinha. Quem dá do que sobra não vê tocada sua própria existência, que continua segura. Não basta dar a Deus o supérfluo, mas a nós mesmos, nossa própria identidade, do que é necessário.

O Brasil vive o “tempo da juventude”, acolhe a cruz e o ícone de Nossa Senhora, recebidos em Madrid, que percorre por todas as arquidioceses e dioceses do país. É um convite a todos os jovens para o seguimento de Jesus Cristo, direcionando sua vida para aquilo que o torna mais feliz e comprometido com o bem.

A manifestação de Deus dá-se nos mais vistosos, mas também nos fracos, nos frágeis, indigentes, doentes, jovens etc. A exigência maior é a capacidade de autodomínio, de doação e sacrifício pelo Reino de Deus. Jesus foi jovem modelo, conquistando a vida com a doação de sua existência na cruz.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

As Seitas e os Estados Unidos

Pe. Inácio José do Vale

O violento e dramático filme “Seita Mortal” é a história de um bando de desajustados que encontra uma família de religiosos fundamentalistas no coração dos EUA – é baseada livremente no caso da Westboro Baptist Church, de Topeka, cidade dos Kansas. O controverso grupo batista, liberado pelo pastor Fred Phelps e formado principalmente por membros de sua família, é conhecido pelo ódio contra homossexuais. Para quem sofre de graves problemas psicológicos, não é aconselhável assistir esse filme.

A cada ano cerca de duas mil pessoas saem de suas casas nos Estados Unidos e no Canadá e nunca mais voltam: elas submergem no labirinto sombrio dos cultos e seitas. O dramático caso do suicídio coletivo de 39 crentes do Heaven’s Gate, em San Diego, é exemplar. Sua estrutura como a da maioria de seus concorrentes, se dava através de um líder carismático. As semelhanças entre David Koresh – dos Davidianos, mortos durante um cerco policial na cidade texana de Waco, em 1992 – e John Withcapple, do Heaven’s Gate, são significativas: ambos se diziam o filho de Deus e seu oráculo. 
Só recentemente os cultos americanos ficaram caracterizados pela violência. O mais antigo é o da “família” Charles Manson. O líder era um desocupado que havia passado a maior parte de sua vida na cadeia, mas que conseguiu com seu discurso juntar adoradores. Na noite de 9 de agosto de 1969, Manson mandou quatro de seus discípulos à casa do diretor cinematográfico Roman Polanski, no luxuoso bairro de Bel Air, em Los Angeles. Polanski filmava em Londres, mas sua esposa, a atriz Sharon Tate, 26 anos, estava grávida de oito meses e recebia alguns amigos num jantar íntimo. Ela foi esfaqueada 16 vezes e depois enforcada. Seus convidados também foram mortos.
Já em 1978, 913 pessoas morreram nas selvas da Guiana, após tomarem uma mistura de “K-Suco” e cianureto. Eles pertenciam a uma seita chamada Templo do Povo, organizada em torno do pastor evangélico Jim Jones. Ele havia transferido sua seita de Indianápolis, passando por Redwood Valley, na Califórnia, até as matas sul-americanas. Ato chocante quanto o cerco ao Ramo Davidiano, do líder David Koresh, em 1992. Ele era um cantor de rock medíocre, mas com domínio da Bíblia e carisma de ídolo pop. Seu grupo montou um autêntico arsenal num sítio nos subúrbios da cidade de Waco, no Texas.
As autoridades americanas passaram a investigá-los e uma desastrada tropa de choque tentou invadir o Q.G. dos Davidianos. Foram repelidos à bala. Começava um cerco que terminaria somente no dia 15 de abril, com o suicídio coletivo de 80 pessoas. A maneira escolhida por Koresh foi o tiro na nuca dos fieis, com os corpos sendo consumidos pelo fogo. Até hoje as autoridades americanas têm de enfrentar o culto dos Davidianos. Um exército de vingadores de Koresh armou-se contra o governo para protestar. Um destes “soldados” é o terrorista Tim Mc Veiigh, que no dia 19 de abril de 1995 explodiu um edifício público em Oklahoma City, matando 160 pessoas (1).
1988 – Uma seita dissidente mórmon conhecida como “Igreja do Cordeiro de Deus” chegou a assassinar 24 pessoas. Os membros que propusessem deixar a seita teriam que passar pela “expiação de sangue” um antigo ritual praticado entre os mórmons no início do movimento sem o qual não poderiam “herdar o reino de Deus na terra”.
Provocar mortes não é privilégio das seitas americanas. Desde 1994, o Templo do Sol, que se originou na França, espalha mortes nos países de língua francesa. No total, 74 fieis se suicidaram em rituais que provocaram o incêndio de casas na França, Canadá e Suíça. A seita japonesa Aum Shinrikyo não se limitou a matar seus próprios discípulos, em 1995, no Japão. Comandados pelo guru Shoko Asahara instalaram o pânico no metrô de Tóquio ao contaminar com gases tóxicos 16 estações. Resultado: dez mortos e 5.500 intoxicados.
2003 – Foi presa pela polícia a vidente Valentina de Andrade, mentora de uma seita ufológica conhecida como Delineamento Universal Superior. Ela e mais cinco membros foram acusados de seqüestrar, torturar, castrar e matar cinco crianças em Altamira, no Pará, entre 1989 e 1993 em rituais de magia negra. Valentina e o marido que é argentino, dizia ouvir vozes de Ets que profetizam o fim do mundo dizendo que só os adeptos da seita se salvariam, resgatados por naves espaciais (2). 

As Bruxas de Salém


O caso mais famoso de caça às bruxas aconteceu entre 1692 e 1693 nos EUA e levou mais de 150 pessoas para a cadeia, das quais 25 morreram. 
A região de Salém era uma colônia britânica, rachada por ataques indígenas e atormentada por pequenos crimes e disputas de terra. Lá, os puritanos calvinistas estabeleceram um governo em que a Igreja comandava tudo. A população considerava a mulher submissa ao homem.
Em fevereiro de 1692, durante um inverno excepcionalmente frio, Betty Parris, filha de 9 anos do ministro religioso protestante de Salém, pegou uma doença estranha. Contorcia-se de dor, gritava, sofria de febre e reclamava para o médico do vilarejo que parecia estar sendo picada.

Outras seis garotas, incluindo uma prima de Betty, também desenvolveram os sintomas. Elas se contorciam em poses grotescas e diziam sentir mordidas e beliscadas no corpo. O médico William Griggs sugeriu que a origem do problema seria sobrenatural. A família ficou obcecada com a hipótese. 
Naquela época, um livro fazia muito sucesso. Escrito por Cotton Mather, Memoráveis Providências descrevia o caso de uma lavadeira de Boston suspeita de bruxaria. E o comportamento de uma vítima da suposta bruxa parecia o de Betty. Foi o que faltava para o início de uma onda de pânico.  
A primeira suspeita foi à escrava Tituba, que contava lendas de bruxas e vodus do folclore de seu país para as meninas. As crianças acusaram outras mulheres como autoras do “feitiço”. Para tentar escapar da forca, Tituba confessou ser bruxa e voar com várias companheiras de feitiçaria.
Outras acusadas seguiram o exemplo de Tituba e passaram a confessar que estavam atormentando as meninas a mando do diabo. O governador William Phips criou uma corte para julgar os casos de bruxaria, formado por cinco juízes. Os réus não tinham direito de ter testemunhas a seu favor.
A primeira julgada foi Bridget Bishop. Com poucos amigos e cheia de conflitos com os vizinhos, era a acusada perfeita. Além de ter sido delatada por “bruxas” confessas, uma testemunha disse ter visto Bridget roubando ovos e se transformando em um gato. A pena foi morte por enforcamento. Até uma menininha de 4 anos, Sarah Good, foi acusada pelas crianças. A pequena passou oito meses na cadeia. Dois cachorros foram condenados à morte, acusados de serem cúmplices das bruxas de Salém (Fonte: Revista Mundo Estranho, outubro de 2012, pp. 26 e 27).
Pelos números do IBGE, as religiões e seitas que esperam de alguma forma o apocalipse reúnem 30 milhões de adeptos no Brasil. A cada ano, a Igreja Católica perde 600 mil seguidores. Especialistas canadenses calculam que 20 mil novos movimentos religiosos atuam no mundo, 200 delas baseados em cartilhas extremistas que pregam suicídios e até assassinatos.
“Nos Estados Unidos, a religião adquiriu algumas características do mundo empresarial. As igrejas, competitivas, buscavam ativamente novos membros. Na história do cristianismo americano, nunca se viu tal energia na criação de novos credos e seitas, a não ser talvez, na chegada à África”, escreve: Dr. Geoffrey Blainey, professor e historiador das universidades Harvard e Melbourne (3).

CONCLUSÃO


Afirma Dr. Joseph Gasper, professor de sociologia da Universidade Johns Hopkins: “A cultura americana relaciona violência e masculinidade. Isto está numa infinidade de filmes, videogame e séries de TV. E se está na produção cultural é porque se encontra na sociedade. Os nossos heróis resolvem conflitos a bala, assim como o país que eliminar seus inimigos pela guerra. Temos longa tradição de violência e intimidação, que vem do tempo dos escravos”. 
O protestantismo americano acolheu muito bem a herética teologia caimita e camita. Esta legitimou a escravidão, a segregação racial e o sectarismo terrorista.
Pelo seu capitalismo, os Estados Unidos é o país que mais fabricam e exportam seitas para o mundo inteiro. O triunfalismo missionário é devido o fundamentalismo, fanatismo e a cultura capitalista.
É de grande importância informar e formar o povo, lideranças religiosas sobre o perigo terrível das seitas. Para os fiéis seguidores da Igreja: Una, Santa, Católica e Apostólica, resta tão somente a missão evangelizadora em prol da salvação das almas. 
CatolicaNet

Fiéis defuntos, entre passado e futuro


A Igreja Católica celebra hoje e amanhã os dias litúrgicos de todos os santos e dos fiéis defuntos, que para muitos portugueses são de encontro com o seu passado, em romarias aos cemitérios.
O padre José Nuno Silva, capelão do Centro Hospitalar São João, no Porto, refere a este respeito que a eliminação, a partir de 2013, do feriado nacional de 1 de novembro, popularmente associado à celebração dos defuntos, vai “redundar num prejuízo civilizacional”.
“Era um dia em que os portugueses se encontravam ainda com o seu passado, com as suas memórias e com uma palavra capaz de significar a morte, que é a palavra ressurreição”, assinala, em declarações recolhidas pela ECCLESIA.
Este responsável assina a obra ‘A Morte e o Morrer entre o Deslugar e o Lugar. Precedência da Antropologia para uma Ética da Hospitalidade e Cuidados Paliativos’, que agora chega às livrarias.
Para o sacerdote católico, a humanização da morte na sociedade constitui um verdadeiro “desafio civilizacional”, a que a Igreja tem de estar atenta.
Bento XVI lembrava, em 2011, que a Igreja “cultivou com grande piedade a memória dos mortos e ofereceu sufrágios por eles” desde os primeiros tempos da fé cristã”.
“Na visita aos cemitérios, enquanto conserva os vínculos de afeto com quantos nos amaram nesta vida, recordamos que todos tendemos para uma outra vida, para além da morte”, referia.
A ‘comemoração de todos os fiéis defuntos’, depois da solenidade todos os santos, remonta ao final do primeiro milénio: foi o Abade de cluny, Santo Odilão, quem no ano 998 determinou que em todos os mosteiros da sua Ordem se fizesse nesta data a evocação de todos os defuntos ‘desde o princípio até ao fim do mundo’.
Este costume depressa se generalizou: Roma oficializou-o no século XIV e no século XV foi concedido aos dominicanos de Valência (Espanha) o privilégio de celebrar 3 missas neste dia, prática que se difundiu nos domínios espanhóis e portugueses e ainda na Polónia.
Durante a I Guerra Mundial, o Papa Bento XV generalizou esse uso em toda a Igreja (1915).
Em Portugal, a tradição popular acabou por fundir, nos últimos anos, a celebração de todos os santos com a dos fiéis defuntos, aproveitando o feriado nacional  - que se vai celebrar pela última vez, até 2018 - para se deslocar aos cemitérios e homenagear os antepassados.
OC

Agência Ecclesia
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