
Muito se sofre nos nossos dias nos exílios das infelicidades provocadas por crises financeiras, morais, espirituais. É verdade que as crises são por vezes causadas por intervenções injustas de certas áreas da escala social. Mas temos de admitir que também nós colaborámos em tais situações, como povo e como indivíduos. Elegemos alguns chefes que administraram mal os bens do país, dirigentes que se preocupavam mais com a idolatria da sua ganância pessoal do que com o bem do povo que neles depositara a sua confiança: exilaram-nos para a pobreza e a falta de realização. Deus espera por uma conversão que lhe dê a oportunidade de nos libertar deste exílio.
Como indivíduos, impõe-se a todos nós um exame de consciência sobre o nosso comportamento pessoal e de membros da nossa sociedade. A cada um de nós Deus promete libertar-nos dos auto-exílios dos erros por nós cometidos, da ignorância, da maldade talvez, do abandono dos Mandamentos da Lei de Deus, do desinteresse pelos mais pobres e necessitados. Faltou-nos talvez uma programação séria da nossa vida conforme as possibilidades que tínhamos. Toda a cura começa pela admissão dos erros cometidos. Mas Jesus Cristo obteve para nós a libertação pessoal e coletiva por meio do seu sacrifício salvador.
O que às vezes nos falta, isso nos ensina o cego do evangelho, Bartimeu. Ele compreendeu a sua situação desesperada de cego e fez aquilo que o podia salvar: Gritou com toda a força e confiança: «Jesus, Filho de David, tem piedade de mim!» Até o Catecismo da Igreja Católica nos aconselha esta oração. Para Jeremias, na primeira leitura, a libertação operada por Deus é também para o cego. E cego é-o cada um de nós, certas vezes. A cegueira física, moral ou espiritual exila-nos da felicidade. Como Bartimeu, devemos gritar: «Jesus, Mestre, que eu veja».
A resposta de Jesus ao grito de Bartimeu também quadra bem a cada um de nós: «Que queres tu que eu faça por ti?» «Mestre, que eu trabalhe para eliminar as consequências do pecado na minha vida; que eu derrube o meu complexo de superioridade; espalhe o amor na minha família; me aplique em evangelizar; estenda a mão ao necessitado; viva a vida abundante de libertação por ti trazida». E se dissermos que há gente que se esforça por fazer tudo isto, dizemos a verdade. A conclusão de Cristo: «Vai, e faz também tu o mesmo» (Luc 10,37).
Fátima Missionária
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